quinta-feira, 12 de março de 2009

tá tudo solto na plataforma do ar...

enquanto isso, troco as armaduras que me foram impostas por sopros vindos de muito longe.
pode ser que sejam sopros imaginários, mas por favor, não me digam a verdade.
(quero viver de sopro.)

quarta-feira, 11 de março de 2009

canção de ninar

vamos dormir.
te pego no colo e balanço forte.
não te deixo frouxo, se não, não se sente acolhido- não dorme.
te mantenho num aperto confortável com o ouvido perto do coração.
entôo aquele canto rouco envolto pelos sons maternos.
balanço agora sem tanta força. estou também com sono e me rendo ao balanço que propus.


vou me ninando-ninando você.
(bênção)

matutando cá com meus botões, a beira do inferno astral...

cada vez que paro pra pegar aquela flor da rua.
cada vez que recebo uma música boa de presente.
cada vez que passo pelo jardim do vizinho.
cada vez que converso com alguém e aquela conversa faz to-tal sentido.
quando pego um ônibus e acompanho um papo entre um crente e um esquizofrênico- ambos gênios.
e quando eu volto absorta da paisagem.
e quando eu canto na rua.
e quando eu leio as palavras que você carinhosamente alinha dentro das tuas frases.
e quando eu conto a história da menina tão pequenininha, mas tão pequenininha...
quando recomendo Cortázar.
quando danço um ponto.
quando volto cansada do trabalho e suspiro alto sem perceber.
É quando me sinto viva. e então espero o inferno passar.

papo de vinho

quando a gente era pequeno, chamava a gente de "bucho de guaru".
quando queria mudar de assunto dizia:" suspende e manda um bauru!"
quando queria ir embora dizia: "pinote go bye!"
quando me levava pra tomar café na padaria ia fazendo a brincadeira do "enquanto seu lobo não vem..." (e colocava aquela flor branca no meu cabelo)
quando dá bronca, me chama de "Maria Clarice."
quando o papo é sério ele convoca um vinho. ai do filho que não souber reconhecer um vinho...


papai ontem me disse pra ficar tranquila.
(e era exatamente o que a Maria Clarice precisava ouvir.)

terça-feira, 10 de março de 2009

Do Vento

eu gosto do vento. do gosto do vento. do vento na minha boca. do vento na minha saia. do vento na minha cara. eu gosto do vento. e quando não tem vento, eu danço pra fazer o vento. e quando tem vento eu danço no vento. eu danço pra venerar o vento. eu gosto do gosto do vento. do meu cabelo no vento, que bate nas minhas ventas, arde. eu gosto de por a mão no vento. do vento forte fazendo passar o tempo. que quando eu sonho, eu vento.





Estação Clínicas-Sumaré. São Paulo. 9/3/9

sábado, 7 de março de 2009

é de você mesmo que eu to falando

peço que você digite num papel sulfite versos convincentes
peço que você grafitte poemas de amor em tinta fluorescente
peço que você delete tudo que doeu e te deixou doente
não sei que bicho isso vai dar mas peço: vamos lá meu bem, experimente
peço que me dê abrigo, corte meu cabelo na lua crescente
se você zangar comigo, vamos ao cinema aliviar a mente
peço que você aplique tudo em nós dois daqui pra frente
não sei que bicho isso vai dar mas peço: vamos lá meu bem, experimente
peço que evite olheiras, a vida é passageira amor, não esquente
vamos imprimir em negrito tudo de bonito que marcou a gente
peço que compense o atraso, se quiser me caso agora e para sempre
não sei que bicho isso vai dar mas peço: vamos lá meu bem, experimente
tudo que te peço, meço pra não cometer excesso
mas se ocorrer o inverso me desculpa se eu te peço


(música "pepel sulfite- j. silva)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Nêgo,

já desabou água e foi pro nosso bem!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Tenho agora a nítida impressão de ter perdido o fio da meada...
Da sua meada.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Carta

Querida pessoa,
Lhe escrevo pra falar de coisas bonitas que eu vi naquela noite.
De muita gente sozinha, vi muita gente em bando, rindo tanto...
Teve uma moça que puxou assunto. Teve outra que me ajudou.
Teve também a moça das rosas. Ah, como aquilo foi bonito...Ela era magrinha, magrinha... Sua roupa era atemporal e era "tão pequena no jeito de não ser quase ninguém", que me lembrou um passarinho miúdo. Estava no ponto de ônibus, sentada embrulhando rosas brancas e vermelhas com um papel celofane. Tirava os espinhos com afinco, e com a rosa na palma da mão, embrulhava com tanto cuidado, tanta delicadeza que parecia um ritual de ninar...
Encontrei naquela noite gente tão querida, com abraço tão gostoso de quase desmaiar. Gente querida de trocar declarações bonitas.
Foi naquela noite que eu percebi que...
Ah... me desculpa se eu não soube descrever tudo isso pra você. Nem imagem, nem palavra, nem som- nada alcança a sutileza de alguns encontros.
Um beijo, Clarice

janta que veio tão a calhar...

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitarCaberá ao nosso amor o eterno ou o não dáPode ser cruel a eternidadeEu ando em frente por sentir vontadeEu quis te convencer mas chega de insistirCaberá ao nosso amor o que há de virPode ser a eternidade máCaminho em frente pra sentir saudadePaper clips and crayons in my bedEverybody thinks that i'm sadI'll take a ride in melodies and bees and birdsWill hear my wordsWill be both us and you and them togetherCause i can forget about myself, trying to be everybody elseI feel allright that we can go awayAnd please my dayI let you stay with me if you surrenderEu quis te conhecer mas tenho que aceitar(I can forget about myself trying to be everybody else)Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá(I feel all right that we can go away)Pode ser a eternidade má(And please my Day)Eu ando sempre pra sentir vontade.(I'll let you stay with me if you surrender)
-marcelo camelo-

(na falta de poder ouvir...)

domingo, 1 de março de 2009

as coisas tomando dimensões improvavéis

o corpo agoniado.
o olho enxarcado.
a falta do abraço.

meu íntimo escancarado
num domingo ensolarado

minhas palavras trêmulas
minha mão fria
meu corpo quente

a música que não tem me salvado
querendo o alívio
um sentido pra tudo isso
um lugar pra ir
e encontrar a minha calma.


("vem me buscar")

todos os meus poros vão dizer:

falei demais.me arrependi.tomei um banho.me perfumei.tentei de novo.saí de casa.peguei um ônibus. saltei na paulista.tirei dinheiro.comprei cigarro.comi uma quiche.tomei um mate.vi os cds.fui comprar caneta nova.perdi minha carteira!corri e achei.furei o sapato..comprei a caneta.procurei cortásar.não achei.comprei um all star pra calçar.fui ao cinema.chorei,chorei.saí e encontrei o resto do mundo.aquela gente minha.dancei minha alma.cheguei com "peço por favor, se alguém de longe me escutar, que venha aqui pra me buscar, me leve para passear no seu disco voador ou num enorme carrossel, atravessando para o azul do céu até pousar no meu quintal" na cabeça.que não sai do coração. que vem pra garganta e sai desatando os nós.
nós. assim.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A Menina de rosa

eu estava sentada na beiradinha do banco.
dali podia ver um casal passando, dividindo uma pipoca.
também vi uma mulher com uma menina- a menina chamava a mamãe, mas a mamãe estava falando ao telefone, muito interessada na conversa.
Passou um amigo, acenou. Passou outro, veio dar oi, perguntou da vida...
Recebi um telefonema, acendi um cigarro, tirei uma foto, duas, três.
Vi um papel no chão: "existirmos, a que será que se destina?"
Olhei pro papel que não parava de me olhar. Me lembrei que preciso ler o conto do homem que vomita coelhinhos.
Aí falaram pra mim:
-Não se esqueça que você existe. É e vai continuar sendo de carne, osso e sentimento.
Verdade, pura.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

as folhas sabem procurar pelo sol e as raízes procurar, procurar...

estranho.
tenho saudade
do que nunca vivi
sentimento ímpar
uma mistura de graça com seriedade
uma inquietação que tem sido paciente
nunca soube esperar. como explicar isso?
linha tenue entre muita coisa e nada concreto
de concreto basta o vício dos prédios
não quero concreto.
quero nuvem, chuva, sol...
palavras doces tenho muitas
todas guardadas esperando as brechas de luz que você...
-amanhã eu continuo a contar essa história.
boa noite.

retalhos

não quero sugar todo o seu leite
nem quero você enfeite do meu ser
quero amor e quero amar
quero a vida aproveitar
e quero que você venha comigo
todo dia, todo dia
não se esqueça de mim
não se perca de mim, não desapareça
me deixe sim, mas só se for pra ir ali
e pra voltar
nem venha querendo você se espantar
não, não, não, não, não


se acaso anoitecer, do céu perder o azul
entre o mar e o entardecer...
eu vou ficar aqui
até acabar a festa.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cê

"do mesmo jeito que Cê veio, Cê foi embora...

achei estranha sua partida, assim como estranhei o modo como chegou!

tudo bem: eu andava antes, ando agora. sorria antes, sorrio agora...

a diferença é que eu passeava por palavras minhas e suas que mesmo que de leve se costuraram de

alguma forma... e agora as palavras se apagaram. (sozinhas?)

eu andava antes, ando agora. sorria antes, sorrio agora... "

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

que bom que é quebrar os ciclos! que bom vomitar pelos lugares as coisas velhas engasgadas! êta vício! chega! tão ruim esse enjôo, o medo... mas que alívio ficar vazia de novo para se encher de coisas boas, de músicas, versos, cores e cheiros, pessoas queridas, paisagens, dança! letras que aos poucos estão conseguindo entrar pelas minhas fechaduras e sair pelos poros todos.
ufa... acho que vou lavar louça.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

com a alma enxarcada

esses dias antes de dormir fiz uma frase linda na minha cabeça... nunca vou lembrar dela tão linda e precisa que foi... vai ver não era pra ser minha e um dia alguém vai dizer ela pra mim. já estou com saudade da minha frase...

tenho me sentido que nem uma aquarela
há pouco eu estava tão forte, concentrada...
e agora me diluo cada vez mais
estou ficando em tom pastél
estou tão aguada que minha página vai se rasgar e molhar todas as minhas palavras.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

versando sobre coisas vagas ou quero te colecionar ou eu não quero isso, seja lá o que isso for.

essa chuva constante abre espaço para perceber uma porção de coisas que sem chuva a gente não percebe...
que bucólico.
ainda não chegou o carnaval, para muitos o ano só vai começar depois da quarta feira de cinzas... vamos juntar o que restou dos nossos panos coloridos e tentar fazer da vidinha uma coisa leve de se levar... ia ser tão bom levar uma vida leve, tão leve, mas tãããão leve de não conseguir pisar o pé todo no chão... de não precisar arrastar as coisas pelos concretos da cidade...
nunca entendi quem coleciona pessoas... é tão solitário... eu nunca quis colecionar ninguém. a cidade me puxou pra solidão e quando eu vi já estava colecionando 3. coleção começa pequena.
-vamos trocar pessoas?
-mas não tenho nenhuma repetida...
-vamos fazer assim: te dou três pessoas pra você guardar num potinho e você vem pra perto de mim.
-e o que a gente faz?
-a gente se coleciona...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

minha burrice consiste em repetir o mesmo erro: de sempre, sempre te querer quando você não me quer. e basta me querer que não te quero mais de jeito nenhum, nem pintado, nem musicado, nem filmado. então, vamos combinar o seguinte: quando me quiser, pode me despedaçar,passe por mim e me ignore solenemente, se eu te der 'oi', pode me dizer que não me conhece, que nunca me viu e que devo estar me confundindo.
aliás, estou me confundindo. me confundindo.

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