dentro das pupilas-girassol construí uma casinha cheirando a vapor de erva-cidreira.
nela permaneci protegida, aquecida e feliz por um tempo que não se pode calcular.
um tempo outro, que veio de longe trazendo alegria e calma.
(respiro compartilhado, querer-bem guardado no peito)
terça-feira, 16 de junho de 2009
transcrição do coração: poema ao ar livre
"minina:-como que era? borboleta branca...
minino:-borboleta branca voando bastante...
minina:- em cima...
minino:-em cima da árvore seca.
minina:-e a continuação?
minino:-a continuação é o vôo, a beleza do vôo, o silêncio. o silêncio é a continuação...
minina:-o silencio."
minino:-borboleta branca voando bastante...
minina:- em cima...
minino:-em cima da árvore seca.
minina:-e a continuação?
minino:-a continuação é o vôo, a beleza do vôo, o silêncio. o silêncio é a continuação...
minina:-o silencio."
terça-feira, 9 de junho de 2009
saudade da casinha
saudade do cheirinho de guardado dos quartos, da clarabóia que faz um caminho de poeira luminosa na sala. saudade do tapetão, saudade da lareira, saudade de desenhar a mesma varanda toda vez. saudade da rede rosa, saudade da árvore torta que era meu foguete, meu navio, minha casinha. saudade de não pentear o cabelo, de ser bicho do mato, arisca, quietinha brincando sozinha. saudade de cozinhar cantando na cozinha grande, saudade do pupo, da piscina de maria-sem-vergonha. saudade de olhar o ponto fixo, de fazer festa do pijama, do balanço, de ver a lua cheia com a mamãe. saudade do milho na brasa, das fogueiras de todo junho. saudade da bicicleta sem rodinhas, das longas competições comigo mesma, das raízes-obstáculo perto da porteira. saudade de rastelar as pinhas e beber a espuma da cerveja do papai. saudade dos meninos do vizinho, do crochê, das fotos mofadas, dos brinquedos quebrados. saudade de ser pequena no jeito de não ser quase ninguém. saudade da lonjura, do mistério, do vento verde, das moedas de ouro, dos brigadeiros de barro, dos banhos de mangueira. saudade do que não foi, vontade do que ainda vai ser. saudade do meu sítio.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Não sei se é impressão minha, se é fruto do atual estado sensível em que me encontro, mas percebo que o tempo está correndo muito. Ontem mesmo era o fim do ano passado, eu chegava em casa cansada depois de um dia inteiro de trabalho e tava quente como nunca. Desde 1995 passo todo santo dia em frente a banca da Beth, olho pra ela e digo "Oi Beth". Ela sempre me respondeu "Oi menina". E assim éramos cúmplices da nossa esquina.
Ela já sabia que minha resvita preferida era Tpm, sabia que eu gostava de Trident verde e sabia que eu podia pagar outro dia.
Tem que um dia, há pouco mais que duas semanas, não encontro a Beth dentro da banca, e sim, uma morena, de cabelão limpando tudo com um paninho. Será que a Beth contratou uma faxineira?
Não. A Beth nunca chamaria ninguém pra limpar sua banca. Ela sem dó nem piedade de mim- pessoa apegadíssima- vendeu a banca com tudo dentro: meu cigarro, minha Tpm, meu chiclete, meu Oi, tudo.
A nova dona olhou pra mim outro dia e disse "eu ainda vou te conquistar como cliente". Dei uma desculpa esfarrapada e saí correndo dali. Não minha querida, você não vai me conquistar. Você não é carequinha como a Beth, você não sabe que cigarro eu fumo, que chiclete eu compro, que revista eu leio... e quer saber do que mais? Ah... Não gosto de mudanças assim. E se daqui a pouco o cheiro do jardim do vizinho mudar, pode ter certeza que eu me mudo dessa casa, dessa rua, dessa cidade. É emoção demais pra mim, á beira de uma tpm louca. louca total e completamente louca.
Por sorte, Beth ainda é minha vizinha, e ao saber pela minha mãe o quão triste eu fiquei com sua partida, me comprimenta toda feliz, e até ganho um beijinho e um " Oi linda!".
É... talvez eu fique contente com isso, mas... QUERO MINHA BETH DE VOLTA!!!
Ela já sabia que minha resvita preferida era Tpm, sabia que eu gostava de Trident verde e sabia que eu podia pagar outro dia.
Tem que um dia, há pouco mais que duas semanas, não encontro a Beth dentro da banca, e sim, uma morena, de cabelão limpando tudo com um paninho. Será que a Beth contratou uma faxineira?
Não. A Beth nunca chamaria ninguém pra limpar sua banca. Ela sem dó nem piedade de mim- pessoa apegadíssima- vendeu a banca com tudo dentro: meu cigarro, minha Tpm, meu chiclete, meu Oi, tudo.
A nova dona olhou pra mim outro dia e disse "eu ainda vou te conquistar como cliente". Dei uma desculpa esfarrapada e saí correndo dali. Não minha querida, você não vai me conquistar. Você não é carequinha como a Beth, você não sabe que cigarro eu fumo, que chiclete eu compro, que revista eu leio... e quer saber do que mais? Ah... Não gosto de mudanças assim. E se daqui a pouco o cheiro do jardim do vizinho mudar, pode ter certeza que eu me mudo dessa casa, dessa rua, dessa cidade. É emoção demais pra mim, á beira de uma tpm louca. louca total e completamente louca.
Por sorte, Beth ainda é minha vizinha, e ao saber pela minha mãe o quão triste eu fiquei com sua partida, me comprimenta toda feliz, e até ganho um beijinho e um " Oi linda!".
É... talvez eu fique contente com isso, mas... QUERO MINHA BETH DE VOLTA!!!
sábado, 6 de junho de 2009
boas vindas
a casa aberta, o coração aberto, o quarto aberto, a cozinha aberta, os braços abertos, a vida aberta, a felicidade desperta, as histórias contadas, o sorriso liberto, o olhar bem vindo, a vida vindo, sorrindo, cantando, a familia compartilhada, a música escutada, o vinho derramado, todo o bom que estava guardado...quesejabemvindosempre...
quinta-feira, 4 de junho de 2009
todo pássaro,todo passarinho, tudo que voa. as partículas de poeira, as cinzas e as fumaças. tudo que voa. tudo que voa. tudo que me lembra, tudo que sobe, tudo para o alto, acima, adiante, pra lá, pro ar, pro céu. o céu, olhar o céu. o vento sempre, as nuvens, o ar, aquele ar, aquele sopro, tudo que eleva, tudo que me eleva, tudo que aponta pra longe, lá de longe, onde toda beleza do mundo se esconde.
todas as borboletas que estão morando na minha barriga, que querem sair pela boca, numa boa e voar tranquilas pelo ar de são paulo, nesse frio doido todo.
tudo que não sai do meu pensamento um minuto. tudo que está aqui, mesmo não estando.
tudo me encantando.
todas as borboletas que estão morando na minha barriga, que querem sair pela boca, numa boa e voar tranquilas pelo ar de são paulo, nesse frio doido todo.
tudo que não sai do meu pensamento um minuto. tudo que está aqui, mesmo não estando.
tudo me encantando.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
tempo bom de fechar os olhos
eu queria fatiar o tempo em lentos espaços onde eu pudesse passar eternidades jogada ao teu corpo, no calor das mãos sempre quentes, assistindo do melhor ângulo seus olhos como duas luas crescentes, protegidas por leques desses sílios tão bonitos teus.
(e como eu quero.)
(e como eu quero.)
terça-feira, 2 de junho de 2009
pássaro proibido
Solto está o pássaro proibido
Perigo, cuidado, sinal nas ruas
Plumagem clara, brilhante
Ao sol e à lua transparente
Ao corisco e à maré
Ao corisco e à maré
Eu canto o sonho na cama
Do jeito doce e moreno
Eu canto pássaro proibido de sonhar
O canto macio, olhos molhados
Sem medo do erro maldito
De ser um pássaro proibido
Mas com o poder de voar
Voar até a mais alta árvore
Sem medo, tranqüilo, iluminado
Cantando o que quer dizer
Perguntando o que quer dizer
Que quer dizer meu cantar
Que quer dizer meu cantar
Perigo, cuidado, sinal nas ruas
Plumagem clara, brilhante
Ao sol e à lua transparente
Ao corisco e à maré
Ao corisco e à maré
Eu canto o sonho na cama
Do jeito doce e moreno
Eu canto pássaro proibido de sonhar
O canto macio, olhos molhados
Sem medo do erro maldito
De ser um pássaro proibido
Mas com o poder de voar
Voar até a mais alta árvore
Sem medo, tranqüilo, iluminado
Cantando o que quer dizer
Perguntando o que quer dizer
Que quer dizer meu cantar
Que quer dizer meu cantar
domingo, 31 de maio de 2009
F-E-L-I-C-I-D-A-D-E
socorro! minhas palavras ficaram presas dentro do meu peito. acho que ví algumas tentando se libertar de dentro do teclado. estão coçando a ponta dos meus dedos. roubaram meu sono, puxaram a ponta do meu lábio que sorri à toa.
elas estão empurrando minha guela, enchendo meu pulmão de muito ar, me fazendo ficar na ponta do pé para quase saltar pra frente, adiante e em seguida gritar todas elas pela janela num estado de plenitude to-tal
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
elas estão empurrando minha guela, enchendo meu pulmão de muito ar, me fazendo ficar na ponta do pé para quase saltar pra frente, adiante e em seguida gritar todas elas pela janela num estado de plenitude to-tal
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
quarta-feira, 13 de maio de 2009
pronde?
daí é assim, né?
tamo aí, na vidinha e a vidinha é assim, meio.
então tem vez que a gente decide rumar pruma coisa doida-incrível.
e tem vez também que a gente fica na vidinha. que é ruim, mas que é aquilo...
e tem vez que a gente tá no meio da vidinha, assim. e daí acontece coisa doida-incrível. e passa.
e daí retoma vidinha.
e faz plano de nova coisa doida-incrível. que acontece! mas que passa...
pronde a gente tava indo mesmo?
(me perdi.)
tamo aí, na vidinha e a vidinha é assim, meio.
então tem vez que a gente decide rumar pruma coisa doida-incrível.
e tem vez também que a gente fica na vidinha. que é ruim, mas que é aquilo...
e tem vez que a gente tá no meio da vidinha, assim. e daí acontece coisa doida-incrível. e passa.
e daí retoma vidinha.
e faz plano de nova coisa doida-incrível. que acontece! mas que passa...
pronde a gente tava indo mesmo?
(me perdi.)
domingo, 3 de maio de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
um, dois e três. (quatro?)
-o que você foi quando era criança?
-você tem alergias?
-você tem medo de que?
-quando você acorda tem mal humor ou só da risada?
não sei entender sinal de fumaça, mas de fumaça nós entendemos o suficente pra saber que um encontro querido, é sempre um encontro bom.
(memória de elefante)
-você tem alergias?
-você tem medo de que?
-quando você acorda tem mal humor ou só da risada?
não sei entender sinal de fumaça, mas de fumaça nós entendemos o suficente pra saber que um encontro querido, é sempre um encontro bom.
(memória de elefante)
sexta-feira, 24 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
alguém
Alguém.
Alguém para que...
Alguém para quê?
Alguém que pára.
Alguém pára.
Para alguém que...
Para que alguém...
Que pára alguém.
Que alguém pára.
Que alguém?
Para que?
Alguém.
Que?
Pára.
Alguém para que...
Alguém para quê?
Alguém que pára.
Alguém pára.
Para alguém que...
Para que alguém...
Que pára alguém.
Que alguém pára.
Que alguém?
Para que?
Alguém.
Que?
Pára.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
meu irmão,
vamos rir.
vamos rir muito.
vamos gargalhar?
vamos rir antes,
vamos rir depois,
vamos rir durante?
vamos rir no final.
vamos rir juntos!
vamos rir de tudo?
vamos dar risada...
vamos ver irene, teresa, julieta e muitas meninas darem suas risadas.
muitas risadas uníssonas!
ah... mas vamos.
vamos rir muito.
vamos gargalhar?
vamos rir antes,
vamos rir depois,
vamos rir durante?
vamos rir no final.
vamos rir juntos!
vamos rir de tudo?
vamos dar risada...
vamos ver irene, teresa, julieta e muitas meninas darem suas risadas.
muitas risadas uníssonas!
ah... mas vamos.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Amizade erótica
Há alguns dias me referi às mulheres contemporâneas e seu comportamento. Pelo visto os "meninos" também têm sofrido. Sim porque como dizia Vinicius: "medo de amar não faz ninguém feliz"... E olha que esse livro não foi escrito ontem...
'... Só lhe restava de herança o medo das mulheres. Ele as desejava, mas tinha medo delas. Entre o medo e o desejo, era preciso encontrar um acordo; era o que ele chamava de "amizade erótica". Afirmava a suas amantes: só uma relação isenta de sentimentalismo, em que nenhum dos parceiros se arrogue direitos sobre a vida e a liberdade do outro, pode trazer felicidade para ambos.
Para ter certeza de que a amizade erótica jamais cede à agressividade do amor, só se encontra com as amantes permanentes após longos intervalos. Achava esse método perfeito e o elogiava aos amigos: "É preciso observar a regra de três. Pode-se ver a mesma mulher em a intervalos bem próximos, mas nunca mais de três vezes. Ou então pode-se vê-la durante longos anos, mas com a condição de deixar passar pelo menos três semanas entre cada encontro".'
"A Insustentável leveza do ser"- Milan Kundera
quinta-feira, 9 de abril de 2009
para o bem
Por que será que sempre caminho em direção ao que dói? Será porque meu sangue é B positivo? Porque sou ariana? Porque meu ascendente é leão? Porque nasci na década perdida? Porque meus antepassados são uma mistura de africano, português, polonês, argentino e moldavense?
ascoisasvãotomandoformasaospoucosaindabemaindaemtempoparaobem.
ascoisasvãotomandoformasaospoucosaindabemaindaemtempoparaobem.
fui ao cinema ontem e não podia deixar de dar essa dica aos meus parcos queridos leitores: assistam o documentário "Palavra Encantada". Não sei porque ele está sedo tão mal divulgado porque só tem gente incrível: Chico buarque, Luis Tatit, Adriana Calcanhoto, Tom Zé, Black Alien, Ferrèz, BNegão, Zé Miguel Wiznik, entre outros! É de sair querendo comer palavra,espirrar palavra, beijar palavra, respirar palavra... enfim!
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